Direitos do Paciente
Quando o tratamento chega, essa mãe também recomeça
No Dia das Mães, decidimos fazer algo diferente. Em vez de apenas falar sobre direitos, processos ou tratamentos, escolhemos ouvir. Ouvir mães que vivem, todos os dias, os desafios da maternidade atípica e que carregam nas costas uma rotina marcada por amor, sobrecarga, medo, culpa e resistência.
12 de maio de 2026
5 min
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A gravação desse vídeo foi emocionante porque, entre uma fala e outra, ficou claro que existe algo que quase todas essas mulheres compartilham: em algum momento, elas deixaram de existir para si mesmas.
Assista aqui o vídeo:
https://www.instagram.com/p/DYKScrruM7P/
“É a gente sendo mãe, a gente já muda a vida completamente. Mãe atípica, então, você morre como pessoa, quase, né?”, relata Juliana Barbieri logo no início do vídeo.
A frase é forte porque traduz uma realidade silenciosa. Muitas mães interrompem carreiras, relações, sonhos e até o cuidado com a própria saúde para garantir o desenvolvimento dos filhos.
“Então eu larguei do meu trabalho, né? Abdiquei de tudo que você puder imaginar”, conta Patrícia Molina.
Durante as gravações, também apareceram sentimentos difíceis de nomear: medo, angústia, insegurança e a sensação de estar completamente perdida diante do diagnóstico.
“Medo, angústia, a falta de informação sobre o assunto… realmente é um dos momentos mais difíceis da minha vida”, relembra Maria Marico.
Mas o vídeo não fala apenas sobre dor.
Ele fala sobre recomeço.
Porque quando o acesso ao tratamento adequado acontece, algo começa a mudar dentro daquela casa. A criança evolui, desenvolve autonomia, cria novas possibilidades e, aos poucos, essa mãe volta a respirar.
“Eu vim descobrir isso com o passar dos anos: que eu poderia voltar a ser mulher, esposa”, diz Juliana.
“Hoje eu consigo cuidar da minha saúde, que parece pouco, mas para mim faz muita diferença”, completa Patrícia.
Talvez uma das reflexões mais importantes que surgiram durante a gravação tenha sido justamente essa: tratamento e terapias não representam apenas desenvolvimento para a criança. Eles também devolvem dignidade, tempo, segurança e autonomia para quem cuida.
“Ela tendo uns espaços para ela, isso melhora cem por cento”, afirma Simoni Biancatto.
E autonomia, nesse contexto, pode parecer simples para quem vê de fora. Às vezes ela começa em pequenos gestos: conseguir treinar, ler um livro, descansar sem culpa ou simplesmente tomar um café em silêncio sabendo que o filho está seguro.
“Eu consigo colocar no meu dia a dia atividades que são para mim”, conta Kelly Soares.
Outro ponto que marcou profundamente a gravação foi perceber como a informação transforma trajetórias.
Muitas mães relataram que o que mudou suas vidas não foi apenas o diagnóstico, mas o acesso às orientações corretas, aos direitos e aos caminhos possíveis para garantir tratamento adequado.
“Você ter acesso às informações corretas muda totalmente a forma da gente viver”, diz Glace Araújo.
Esse vídeo nasceu justamente desse propósito: lembrar que informação também é cuidado.
E que, por trás de cada evolução, existe quase sempre uma mãe cansada, mas insistindo mesmo assim.
Uma mãe que também merece acolhimento, suporte e a chance de reconstruir a própria vida no seu tempo.
Porque quando o tratamento chega, essa mãe também recomeça.
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