Home care: quando o plano de saúde deve cobrir internação domiciliar?
Entenda o que é home care, quando ele substitui uma internação hospitalar e em quais situações a cobertura pelo plano pode ser discutida.

O que é home care?
Home care é uma expressão utilizada para diferentes formas de atendimento em casa.
E aqui começa uma confusão comum.
Receber uma visita de enfermagem ou fisioterapia domiciliar não é necessariamente a mesma coisa que estar em uma verdadeira internação domiciliar.
Em determinadas situações, o paciente possui um quadro clínico que permitiria sair do hospital, desde que continue recebendo em casa uma estrutura assistencial semelhante à necessária durante a internação.
Todo paciente tem direito a home care?
Não.
A necessidade precisa ser analisada individualmente.
Entre os elementos importantes estão:
condição clínica, indicação médica, grau de dependência, equipamentos necessários, frequência de enfermagem, terapias, medicamentos e possibilidade real de substituir a internação hospitalar pelo atendimento domiciliar.
O plano pode simplesmente excluir home care do contrato?
A jurisprudência do STJ já reconheceu, em diferentes casos, que uma cláusula que exclua previamente a internação domiciliar substitutiva da hospitalar pode ser abusiva, dependendo das circunstâncias concretas.
O STJ também possui um Tema Repetitivo específico sobre essa discussão, o Tema 1.340, ainda relacionado à definição dos limites da exclusão contratual de internação domiciliar.
E os materiais e insumos?
Quando o home care efetivamente substitui uma internação hospitalar, o STJ possui precedentes reconhecendo que a cobertura deve incluir os insumos necessários para que aquela assistência seja realizada de forma adequada.
O plano pode cobrar coparticipação?
O STJ já considerou ilegal a cobrança percentual de coparticipação em internação domiciliar substitutiva da hospitalar, fora das hipóteses relacionadas à saúde mental analisadas naquele precedente.
O pedido médico é suficiente?
Ele é fundamental, mas precisa ser detalhado.
Um relatório de home care deveria explicar, sempre que possível:
por que o paciente necessita da internação domiciliar, qual estrutura é necessária, quais profissionais precisam participar, qual frequência, quais equipamentos e quais riscos existem caso essa assistência seja interrompida.
Um pedido genérico como “necessita de home care” pode dificultar a análise.
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