Rol da ANS em 2026: o plano pode negar tratamento que não está na lista?
O Rol da ANS é taxativo ou exemplificativo? Entenda o que mudou com a Lei 14.454/2022 e com a decisão do STF sobre tratamentos fora do rol.

Afinal, o Rol da ANS é taxativo ou exemplificativo?
Essa pergunta parece simples, mas hoje a resposta precisa ser um pouco mais cuidadosa.
O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS estabelece a cobertura assistencial obrigatória dos planos regulamentados.
Durante anos, houve intensa discussão judicial sobre a possibilidade de obrigar operadoras a custear tratamentos que não estivessem expressamente incluídos nessa lista.
Em 2022, a Lei nº 14.454 alterou a Lei dos Planos de Saúde e estabeleceu critérios para cobertura de procedimentos não incluídos no Rol.
Então todo tratamento fora do Rol passou a ser obrigatório?
Não.
Essa é justamente uma interpretação que precisa ser evitada.
Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal analisou a constitucionalidade das regras e manteve a possibilidade de cobertura de tratamentos fora do Rol, mas estabeleceu requisitos que devem ser preenchidos cumulativamente.
Entre eles estão:
prescrição por profissional habilitado, ausência de negativa expressa da ANS para aquela tecnologia, inexistência de alternativa terapêutica adequada no Rol, evidências científicas de alto nível sobre eficácia e segurança e registro sanitário na Anvisa, quando aplicável.
O que isso muda na prática?
Significa que a pergunta correta deixou de ser simplesmente:
“Está no Rol ou não?”
A análise passa a considerar também o tratamento solicitado, o quadro clínico do paciente, as alternativas disponíveis e as evidências científicas existentes.
Meu plano negou porque o procedimento não está no Rol. E agora?
Peça a negativa por escrito.
Depois, organize:
relatório médico, prescrição, exames, tratamentos já realizados, justificativa do profissional assistente e a resposta formal da operadora.
Esses documentos são importantes para verificar se o caso pode preencher os critérios exigidos para uma cobertura fora do Rol.
O médico pode simplesmente escrever que o tratamento é necessário?
A prescrição médica é extremamente relevante, mas não encerra sozinha a discussão.
Depois da decisão do STF, a existência de evidências científicas e a ausência de alternativa adequada no próprio Rol passaram a ter peso ainda maior nessa análise.
Por isso, relatórios médicos genéricos podem ser insuficientes em determinadas situações.
Quanto mais fundamentada estiver a indicação, melhor será a compreensão do caso.
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