Planos de Saúde

    Rol da ANS em 2026: o plano pode negar tratamento que não está na lista?

    O Rol da ANS é taxativo ou exemplificativo? Entenda o que mudou com a Lei 14.454/2022 e com a decisão do STF sobre tratamentos fora do rol.

    12 de outubro de 2026
    5 min
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    Rol da ANS em 2026: o plano pode negar tratamento que não está na lista?

    Afinal, o Rol da ANS é taxativo ou exemplificativo?

    Essa pergunta parece simples, mas hoje a resposta precisa ser um pouco mais cuidadosa.

    O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS estabelece a cobertura assistencial obrigatória dos planos regulamentados.

    Durante anos, houve intensa discussão judicial sobre a possibilidade de obrigar operadoras a custear tratamentos que não estivessem expressamente incluídos nessa lista.

    Em 2022, a Lei nº 14.454 alterou a Lei dos Planos de Saúde e estabeleceu critérios para cobertura de procedimentos não incluídos no Rol.

    Então todo tratamento fora do Rol passou a ser obrigatório?

    Não.

    Essa é justamente uma interpretação que precisa ser evitada.

    Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal analisou a constitucionalidade das regras e manteve a possibilidade de cobertura de tratamentos fora do Rol, mas estabeleceu requisitos que devem ser preenchidos cumulativamente.

    Entre eles estão:

    prescrição por profissional habilitado, ausência de negativa expressa da ANS para aquela tecnologia, inexistência de alternativa terapêutica adequada no Rol, evidências científicas de alto nível sobre eficácia e segurança e registro sanitário na Anvisa, quando aplicável.

    O que isso muda na prática?

    Significa que a pergunta correta deixou de ser simplesmente:

    “Está no Rol ou não?”

    A análise passa a considerar também o tratamento solicitado, o quadro clínico do paciente, as alternativas disponíveis e as evidências científicas existentes.

    Meu plano negou porque o procedimento não está no Rol. E agora?

    Peça a negativa por escrito.

    Depois, organize:

    relatório médico, prescrição, exames, tratamentos já realizados, justificativa do profissional assistente e a resposta formal da operadora.

    Esses documentos são importantes para verificar se o caso pode preencher os critérios exigidos para uma cobertura fora do Rol.

    O médico pode simplesmente escrever que o tratamento é necessário?

    A prescrição médica é extremamente relevante, mas não encerra sozinha a discussão.

    Depois da decisão do STF, a existência de evidências científicas e a ausência de alternativa adequada no próprio Rol passaram a ter peso ainda maior nessa análise.

    Por isso, relatórios médicos genéricos podem ser insuficientes em determinadas situações.

    Quanto mais fundamentada estiver a indicação, melhor será a compreensão do caso.

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